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INCENTIVOS PARA MINERADOR E GARIMPEIRO

Para o artesão lapidador Lourenço Quirino de Mendonça, 72 anos, o Shopping da Pedra, que brevemente será inaugurado em Junco do Seridó, no Sertão paraibano, a 198 Km de João Pessoa, é uma obra que surge graças a um Governo empreendedor, que se destaca como o único que, até agora, valorizou os minérios encontrados no subsolo da Paraíba e os profissionais que vivem desta atividade. "Sou pernambucano e estou aqui há mais de três décadas, por isso tenho respaldo para afirmar que a atividade mineral, os mineradores e comerciantes de pedras preciosas, finalmente terão o seu lugar".

O Shopping da Pedra vai proporcionar uma mudança radical na vida dos cerca de seis mil garimpeiros ou mineradores de 11 municípios paraibanos, como Junco do Seridó, Santa Luzia, Picuí, Assunção, Areia de Baraúnas, Salgadinho, Pedra Lavrada, Tenório, Passagem, São Mamede e Frei Martinho.Além de proporcionar a melhoria das condições de vida de pessoas que têm na extração de rochas ornamentais, pedras preciosas e semi-preciosas, além do caulin, sua principal fonte de trabalho e renda. O empreendimento, quando concretizado, também possibilitará a geração de emprego para, pelo menos, 70 mil habitantes desses municípios.

A planta adicional do Shopping da Pedra já foi elaborada por técnicos da CDRM, em Campina Grande. Parte das instalações do prédio já está construída no centro de Junco do Seridó e sofrerá adaptações apropriadas às atividades do Shopping que, entre outras coisas, disporá de boxes para comercializações, área de lapidação, estacionamento e centro de informações.

"Quem fizer uma visita ao Shopping será informado de tudo sobre minérios e suas ocorrências tanto na Paraíba quanto na região fronteiriça do Rio Grande do Norte", ensina o geólogo Aderaldo Ferreira, presidente da Companhia de Desenvolvimento de Recursos MInerais, um órgão do Governo Estadual, com sede em Campina Grande. Mendonça, veterano na arte da lapidação e artesanato mineral, faz outro comentário: "nossa vida vai mudar, porque a pedra é a moeda forte da região, portanto, a única mercadoria com a qual sabemos trabalhar".

Segundo ele, o Brasil e o mundo se abastecem de minérios da Paraíba. Só que, como a atividade mineral até então embrionava e, agora é que parte para a profissionalização, o empresário que procurar adquirir compra volumosa em Junco do Seridó e regiões vizinhas, certamente irá encontrar estoque. "Há dois dias surgiram uns sulistas que queriam levar seis truncadas de pedras ornamentais para a construção civil e nós não vendemos porque a mercadoria não existia para pronta entrega".

Na cidade de Junco do Seridó, que em breve será transformada na Meca da Pedra, todos vivem da pedra ou em torno dela. As pedras ornamentais, preciosas e de outras aplicações industriais, afloram nos ermos, onde não existe nem vegetação. Aqui, a agricultura tradicional é impraticável, porque a seca é um fator marcante na região. Junco já abastece os mercados europeus da Espanha, Itália, Hungria e Alemanha. E já foi sondada por chineses e israelenses, interessados na exploração local do minério.
O Shopping da Pedra será o elemento que falta na área para organizar, de vez, o garimpo da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Também resultará numa obra que, pela primeira vez na história da Paraíba, irá concentrar lapidadores, compradores, artesãos e empresários joalheiros do País, numa região estratégica entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte. "Nós vamos entrosar uma permuta de idéias e conhecimentos, que só irão render divisas", comenta Mendonça.

Este homem septuagenário, há 32 anos vive do minério. Ele transforma o entulho mineral em dinheiro. Ou melhor, em obras de arte. De uma peça de dolomita que iria para o lixo, nasceu, nas mãos mágicas de Lourenço, um admirável, quebra-luz. Restos de cristais róseo, ele transformou num abajur de mesa. Quartzo, feldspato, berilo, tantalita, viram objetos ornamentais na pequena oficina de Mendonça, situada a poucos passos do local onde será erguido o Shopping da Pedra.

Mendonça já ministrou cursos de artesanato mineral em Juazeirinho e em Junco do Seridó. E diz que, quando o Shopping entrar em atividade, ele estará lá para prestar serviços e informações a quem interessar possa. "Esta terra me acolheu eu sei ser grato a ela. Também não vou desperdiçar uma oportunidade como esta, que a esperamos por mais de 50 anos". O artesão-lapidador conhece de cor as diversas variedades de minérios produzidos na região do Seridó e Curimataú da Paraíba.

Quem faz uma melhor avaliação do desempenho que terá o Shopping da Pedra é Núbia dos Santos Medeiros, 31 anos, presidente da Associação dos Profissionais em Lapidação Artesanato Mineração e Ourivesaria de Juazeirinho, a Minerart. Com quatro anos de vida, a organização já possui fama que extrapola as fronteiras do Estado. Contribuem, para isso, a qualidade e a aplicação de seus associados.

Na Minerart, a matéria-prima em evidência são as pedras preciosas, cristais, citrinos, águas marinhas, quartzos-róseo e verde e outros minérios conhecidos. Já no artesanato são aplicadas dolomitas, calcitas, quartzo-róseo, granito e calcáreo, com perfeições imitadas, porém, nunca igualadas.

Na pequena sala de exposição da Minerart, o local onde artesãos, ourives e lapidadores expõem peças avulsas de seus trabalhos, a atenção do visitante se volta para as esculturas em minério polido, de todas as cores e feitios. Ou para as pedras usadas em colares e pulseiras, que brilham acomodadas em caixinhas de fibra. Nesses quatro anos a Minerart já vendeu para o exterior, mediante contato de compradores com o projeto A Paraíba em Suas Mãos. Os porta-insenso e as saboneteiras de dolomita, impressionaram visitantes brasileiros e europeus, que adquiriram algumas unidades.

Nesse quadriênio, a Minerart formou uma casta de 15 lapídadores e mais de 40 artesãos. "Nem todos exploram a profissão mas, quando a motivação maior chegar - a construção do Shopping-, certamente a maioria obterá ocupação", opina Núbia. Ela é artesã, casada, mãe de um filho. O marido, Dimas, é conhecido artesão na área de brinquedos populares fabricados com madeira. A renda mensal de ambos com o artesanato, chega a R$ 380,00. Esta quantia é um complemento do orçamento familiar.
Segundo Núbia, o incentivo do Governo estadual, materializado na construção do Shopping da Pedra, será o maior estímulo dado a Minerart e outras associações similares que existem em Pedra Lavrada e Picuí, os municípios paraibanos que mais movimentam a atividade mineral na Paraíba. A Minerart tem planos para adquirir novos equipamentos e, assim, adaptar-se ao design do Shopping da Pedra, que surge como uma obra que porá o minério na crista da onda.

Atualmente, a Minerart procura parceria para renovar-se pois, de saída, necessita de pelo menos R$ 15 mil, para investir em maquinário novo. "Quem chegar ao Shopping da Pedra equipado, pronto para por mãos à obra, terá mais oportunidade de fazer mais contratos", prevê Núbia. " Haverá acessos de clientes diversos e, quem estiver preparado para atendê-los lucrará imediatamente".

Núbia sentiu que o artesanato com minérios e a lapidação tinha de tudo para decolar na Paraíba, durante a realização do Ruraltur, realizado de 29 a 31 de agosto deste ano, no Shopping Sebrae, em João Pessoa. "A procura por essas peças foram razoáveis e quem tinha coisa boa para oferecer, vendeu".

A Minerart resolveu se instalar em sede própria. Antes, ocupava uma sala no Centro de Artesanato e Comercialização Dr. Antônio Marinheiro, em Juazeirinho, no lado direito do trecho da BR-230 que liga Juazeirinho a Junco do Seridó. Esta obra foi construída pela Prefeitura de Juazeirinho, em parceria com o Governo do Estado. Lá, existem lojinhas expondo artesanatos em crochet, bordados e costuras diversas. "A disponibilidade de artesãos é grande em Juazeirinho, por isso mostramos de tudo um pouco", opina Antônia Messias, responsável por uma lojinha-exposição. Os artesãos de Juazeirinho pediram recentemente à Prefeitura que transformasse o Centro de Artesanato numa parada intermediária de ônibus. Motivo: os passageiros observariam o artesanato da terrinha e entre eles surgiriam compradores.

A União